Confira aqui as críticas que foram publicadas sobre "Hard Candy" nas principais publicações no Brasil e no mundo.

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O efeito Madonna
Cercada pelos maiores nomes da música dançante hoje, como Timbaland e Justin Timberlake, a cantora mostra outra vez como um artista pode se reinventar

Nos últimos dez anos, a discografia de Madonna teve um salto de qualidade significativo. Dos quatro álbuns lançados, três são excelentes: Ray of Light (1998), Music (2000) e Confessions on a Dance Floor (2005). Frutos de parcerias que a cantora estabeleceu com produtores europeus (os mais importantes: William Orbit, Stuart Price e Mirwais), esses CDs foram fundamentais para mostrar que um ícone pop podia ser prolífico e se dar bem na casa dos 40.

Em Hard Candy, Madonna resolveu mexer no time que estava ganhando. Abandonou os produtores europeus e a música eletrônica dançante que com eles concebia para flertar com os nomes mais quentes do hip hop americano atual. O cantor e baterista Pharrell Williams fez seu nome formatando hits de Snoop Dogg, Jay-Z e Britney Spears. No novo de Madonna, ele participa de sete faixas. As outras cinco ficam com a turma de Timbaland, que inclui o cantor Justin Timberlake e o produtor Danja. Timbaland é o nome da década no quesito música negra urbana e moderna. Inventou novos estilos de batidas ao lado da rapper Missy Elliott e acabou indo parar no último trabalho da islandesa Björk. O que levou Madonna a se aproximar desse time é motivo de especulação há meses. Teria a ver com seu aniversário de 50 anos, que está bem perto? Ou com uma possível separação do marido inglês, que a faria morar novamente nos Estados Unidos? A versão oficial da cantora é que ela só tem gostado de discos assinados por essa trupe. E, ouvindo Hard Candy, fica nítido que está sendo sincera.

Para a pista
Madonna soube usar os melhores atributos de seus novos aliados. As batidas selvagens e o canto em falsete de Pharrell, os sintetizadores de Timbaland, o vocal charmoso de Justin... Em alguns momentos, ela parece tentar recriar hits deles. Devil Wouldn't Recognize You é muito próxima de What Goes Around... Comes Around, balada de sucesso de Justin. Aliás, apenas Devil... e Voices têm pique menos acelerado. O resto do CD é feito para a pista.

Apesar de dar bastante espaço para os contratados em faixas como Candy Shop e 4 Minutes (o primeiro single), Madonna nunca deixa de ser ela mesma. Na condição de fêmea dominante, coloca esse povo bem-sucedido para pensar com a sua dela cabeça. Em Give It 2 Me e She's not Me, dois destaques do CD, há referências às suas produções mais antigas . Nas letras, ela não tem praticamente nada a dizer. Só fica fazendo jogo de palavras e chamando a galera para dançar. Mas, como artista interessada em novidades e afeita a desafios, Madonna diz muito em Hard Candy. Que Michael Jackson o artista que um dia foi o rival de Madonna no mundo pop, mas não conseguiu se reinventar aprenda desta vez.

por José Flávio Júnior (abril/2008)

 

 

Novo CD da Madonna é mais moderno e divertido que o anterior
A CAPRICHO já ouviu o mais novo álbum da Madonna, "Hard Candy", que chega nas lojas dia 28 de abril. O resultado é um CD perfeitinho, inteligente, bem-humorado e muito animado.

Sabe o que acontece quando você junta a vitalidade do hip hop, a alegria da disco music, os bons refrões do pop e coloca todos esses elementos nas mãos dos caras que dominam as paradas musicais da atualidade? O resultado é "Hard Candy", o 11º álbum de estúdio da Madonna, que conta com a produção de Timbaland, Justin Timberlake, Pharrell Williams e Nate "Danja" Hills.

O novo trabalho da diva pop só chega nas lojas no dia 28 de abril, mas a CAPRICHO teve a chance de ouvir o CD na íntegra hoje de manhã (18/4). O que dizer? É bom saber que o sucessor de "Confessions on a Dancefloor" também foi feito para dançar.

A primeira faixa do álbum, "Candy Shop", produzida pelo Neptunes, nos convida para provar a doceria musical da Madonna: "Come on in to my store/ I've got candy galore/ Dont pretend you're not hungry/ I've seen it before".

Em "4 Minutes", ela divide os vocais com Justin Timberlake na canção mais "tumultuada", alucinante e cheia de energia de "Hard Candy".

A faixa seguinte, "Give it to Me", mantém o fôlego dançante do CD e Madonna pede para ninguém a interromper. "Dont Need to stop me now/ Dont need to catch my breath".

As faixas seguintes, "Heartbeat" e "Miles Away", desaceleram um pouco o CD, mas os tambores e os grooves de Pharrell Williams na primeira música e o violão de Timbaland na segunda não deixam a peteca cair.

E como estamos falando de um álbum da Madonna, é claro que a personalidade da diva pop irá aparecer em alguma das faixas.

"Shes Not Me" é totalmente disco, "groovy", vem com a participação de Pharell nos vocais, mas o grande destaque fica por conta da letra, que mostra uma Madonna ciumenta por causa de outra mulher: "Shes not me/ She doesnt have my name/ I can do it better / Shes not me and shell never be".

Outro grande destaque de "Hard Candy" é a ótima e bem-produzida "Beat Goes On", que nada lembra a versão anterior que vazou na internet. No CD, a faixa aparece com uma levada disco e ainda vem com um rap certeiro de Kanye West.

"Dance 2Night" é totalmente funky e tem até palminhas e apitos para animar a pista de dança. Já as faixas seguintes, "Spanish Lesson" (uma aula de espanhol com Madonna, que mal sabe falar espanhol), "Devil Wouldnt Recognize You" (uma balada sobre amor escrita por Madonna e Justin) e "Voices" (a faixa mais "cabeça" do CD), finalizam "Hard Candy" com tranquilidade.

"Hard Candy" é perfeitinho, inteligente, bem-humorado e muito animado.

O novo álbumé como uma continuação mais moderna e esperta de "Confessions on a Dancefloor". Se o anterior nos fazia dançar com inspirações nos anos 70 e 80, num ambiente "viajandão futurista", o atual faz o mesmo, só que de um jeito mais moderno, mais cru, mais "street", mais "pimp", mais hip hop. É isso que acontece quando a rainha do pop se junta com os feras da black music. Esse doce vicia.

Por Phelipe Cruz (18/04/2008)

 

 

Fácil digestão
Assim como aconteceu com Björk, os fãs de Madonna ficaram de cabelos em pé ao descobrir que ela se juntaria a Timbaland e Justin Timberlake na nova empreitada musical. Apesar de ser bem conservada, a "tia" não tem mais idade para colocar capuz, bling-bling no pescoço e tecer rimas violentas (o rap que ela canta em American life deixa isso mais do que claro). Conservada, gostosona ou não, em um ponto todos concordam: Madonna não é mais uma garotinha e posar como tal poderia ser uma jogada de marketing duvidosa. Felizmente, ela mostra desenvoltura: a batida do novo disco é, sim, hip-hop, mas o bom e velho pop, carro-chefe da carreira, dita todas as regras de "Hard candy".

Os antenados às novidades da musa não se surpreenderão com "Candy shop", a faixa que abre os trabalhos – é exatamente a mesma versão que havia pipocado na web, ano passado. Em "Give it to me", a pegada é funky. A faixa grita Pharell, um dos seus produtores, que mostra toda a criatividade peculiar. Em meio a batidas militares e sintetizadores, há breakdowns estranhos e apelo dançante. Com "Heartbeat", Madonna, conhecida por não ser nem um pouco nostálgica, retrocede para a década perdida. A canção transpira os anos 1980, principalmente no início. Madonna e New Order no ringue. "Miles away" é uma baladinha animada. Nela, Madonna reclama da distância que a separa do seu amado. Apesar de toda a energia das músicas, as letras partem do mesmo pressuposto há mais de duas décadas: rimas fáceis e letras redondas. (alguém lembra de "I love New York" quando Madonna rimou York (de Nova York) com dork (idiota)?).

"She’s not me" pode parecer, à primeira audição, um recado a uma rival pelo amor de Guy Ritchie, o maridão da musa. Com sutileza zero, Madonna avisa (meio tardiamente) às suas wannabes o que todos já sabem: ela é única. A faixa parece bobinha, mas é um das melhores de "Hard candy". Incredible entra na onda, desta vez com ritmos eletrizantes. "Spanish lesson" brinda à latinidade, constante na carreira da cantora.

Ao ouvir "Dance 2night", não tire o disco e leia o rótulo. Ainda é um disco de Madonna, apesar da invasão de Justin Timberlake. Se o ex-N’Sync sozinho é um estouro, ao juntar-se com a rainha do pop, sobra. Em "Hard candy", infelizmente, ela lança mão dos "featuring", fato quase inédito na carreira (com exceção de "Love song", com Prince, de "Like a prayer" (1989) e a tétrica participação no single "Me against the music", da protegida Britney Spears, em 2000). Em tempo: "Beat goes on" conta com vocais de Kanye West.

Ainda falando em Timberlake, ele dá as caras também em " Devil wouldn’t recognize you" (cria de "Cry me a river"), "Voices" e no batidão "4 minutes", primeiro single do trabalho. Se no disco, Madonna aproveitase da presença do bonitão multimídia, no clipe que ilustra a faixa ela deixa bem claro quem manda. Enquanto eles travam um duelo rítmico com danças sensuais pontuadas pela batida black da música, tudo ao redor cai aos pedaços. Em quatro minutos, a dupla têm de salvar o mundo. O que poderia ser entretenimento puro, vira um marco simbólico – o mundo pode estar acabando, mas enquanto restar pedra sobre pedra, Madonna ainda estará no topo. E Deus salve a rainha...

Por Arthur H. Herdy (24/04/2008)

 

 

A velha e boa Madonna
A cantora retoma estilo do começo da carreira e firma parceria com Justin Timberlake

No ano em que vai se transformar numa cinqüentona, Madonna decidiu letras1r na fonte da juventude de astros como Justin Timberlake. Em seu novo álbum, Hard candy, cujo lançamento no Brasil e na Europa está previsto para 28 de abril, um dia antes que nos Estados Unidos, ela deixa seu mais novo melhor amigo brilhar. Em seu 11º disco de estúdio – que pretende superar as oito milhões de cópias vendidas de seu antecessor, Confessions on a dance floor – a cantora apresenta 12 faixas e não foge de sua fórmula: todas são feitas para dançar.

Apesar de anunciar que, dessa vez, a grande influência é a batida club e o hip hop (daí a escolha de parceiros como Timberlake, Timbaland, Pharrell Williams e Nata “Danja” Hills, craques na área), o que ouvimos é a velha e boa Madonna. Aliás, a estrela pop foi lá atrás e, em muitas músicas, como na melódica Heartbeat, faz lembrar a voz de garotinha roliça dos tempos de Like a virgin, da década de 80.

A cantora, que este ano entrou para o Hall da Fama do Rock, avisou que a escolha do nome Hard candy (que pode ser traduzido literalmente como “doce duro”) tem a ver com sua paixão pelas guloseimas em si e, ao mesmo tempo, com atitudes não tão sensíveis assim. “É uma justaposição de idéias e doçura... do tipo: vou te dar um chute na bunda, mas isso fará você sentir-se bem”, afirma Madonna no material de divulgação do álbum. O nome também é o mesmo que batiza um filme estrelado pelos atores Ellen Paige, Sandra Oh e Patrick Wilson.

Apesar de o primeiro single do álbum, 4 minutes (no qual divide os vocais com Justin Timberlake), ter sido lançado oficialmente apenas no fim de março, desde dezembro do ano passado os fãs já haviam pescado na internet as faixas Candy shop e Beats goes on. Mas 4 minutes foi uma boa escolha e veio acompanhado de um videoclipe cheio de coreografias – algumas bem conhecidas – ao lado do queridinho Timberlake.

O cantor, que já integrou a boy band N’Sync, uma espécie de Menudo americano, deixou Madonna menos egocêntrica. Ela permitiu que Timberlake apareça em Hard candy como co-autor de cinco das 12 faixas (em quatro delas, ele ainda divide os vocais). Em Dance tonight – assim como ela fez em Into the groove e Music –, os dois convidam todos a dançar ao som de versos como “você não precisa ser bonito ou famoso para ser bom”.

A faixa Devil wound’t recognize you é a única baladinha de todo o álbum e destoa da maioria, assim como Spanish lessons, onde Madonna insiste em arriscar algumas palavras em espanhol. Talvez para resgatar megassucessos como La isla bonita e Take a bow, nos quais ficava claro o objetivo de conquistar a comunidade latina dos Estados Unidos e os fãs do estilo Shakira espalhados pelo planeta.

Esse é o último álbum de Madonna distribuído pela Warner. A cantora rompeu com a gravadora em outubro do ano passado, depois de uma lendária parceria de 25 anos, a totalidade de sua carreira. Os contratos, daqui para a frente, sairão pelo selo Live Nation, com quem a diva pop fechou um acordo milionário de dez anos, estimado em mais de 80 milhões de euros. Um dos objetivos do rompimento, disse Madonna na época, foi ganhar mais liberdade para a distribuição de suas músicas.

Hard candy vai chegar ao mercado brasileiro por um preço entre R$34,90 e R$39,90 e já está disponível em esquema pré-venda pela internet.

Por Mirelle de França/AG (18/04/2008)

 

 

Madonna deixa os filhos com o marido e sai para dançar
Hard Candy, novo disco da cantora, não traz inovações, mas convida todos para a pista

Nesses tempos bicudos de pirataria, foi exatamente assim que aconteceu: A Warner chamou alguns jornalistas de cultura do país inteiro, colocou todos em uma sala com som poderoso e apertou o “play”. Como era cedo, um belo café da manhã forrou as barrigas. Nos ouvidos, Hard Candy, o novo da Madonna. “Ninguém vai gravar não, né?”, perguntou, irônica, a sempre simpática assessora de imprensa da gravadora. O cuidado, aparentemente excessivo, é coisa de gato escaldado que não gosta de água fria. Em novembro de 2005, o último disco dela, Confessions On a Dance Floor, vazou inteiro na internet antes do lançamento. Até agora, a poucos dias de Hard Candy ir para as lojas, só se acham quatro faixas nos cantos escuros da rede. Uma delas, 4 minutes, com o bonitinho Justin Timberlake, foi a primeira a vazar, ainda no ano passado. Acabou virando o primeiro single do disco e já está nas rádios, para ser ouvida sem peso na consciência. O resto - até agora, é sempre bom frisar - ainda é um mistério.

Quer dizer, nem tanto. Não dá para dizer que há algo de surpreendente no novo de Madonna. A impressão geral é a de que, de tempos em tempos, ela cansa um pouco da bagunça dos rebentos Lourdes Maria, Rocco e David (este último, adotado no Malauí), deixa-os com o pai, o cineasta Guy Ritchie, e vai balançar o corpaço de menina (apesar dos 49 anos) sob a luz do estroboscópio. É basicamente um disco de pista de dança.

Logo de orelhada, nota-se que o disco é claramente divido em dois. São sete faixas produzidas pela dupla Pharrell Williams e Chad Hugo (conhecidos como The Neptunes) e cinco faixas produzidas por Timbaland e compostas por Justin Timberlake, sempre em parceria com Madonna, é claro. A metade dos Neptunes é grave, com marcações fortes e ritmo mais cru. É o que há de mais badalado no hip hop americano. A parte que coube a Timberlake/Timbaland é mais pop, com o grave do pancadão dando lugar a melodias dessas grudentas, abusando de barulhinhos sintéticos em uma atmosfera que lembra o que se chamou popularmente de “música dance” por aqui, principalmente até meados dos 90. Restou a Madonna dar liga a esse baião de dois.

A dicotomia se dá de cara. O disco começa grave e dançante com Candy shop, com poucas notas musicais e muito balanço. É bom que se escute com subwoofer no máximo. Trata-se daquela caixa grande dos aparelhos de home theater, que ressalta os graves. Com volume bem alto, vai dar para sentir o chão tremer. Lá na salinha da gravadora foi assim. Na segunda do disco, já ouvimos a vozinha de mel do Timberlake, léguas mais aguda que a de Madonna. É <em>4 minutes</em>, sobre quatro minutos que faltam para acabar o mundo. Sobre esta, todos já podem tecer conceitos, pois está no YouTube (http://www.youtube.com/madonna). E é sempre mais agradável ouvir música do que ler a respeito. Visualmente, o ponto alto do clipe é o macabro efeito especial que corta as pessoas em lascas e mostra, por exemplo, como se mexem maxilar e língua durante um beijo. Não é nenhuma revolução visual, como a dos rostos se fundindo em Black or White, do Michael Jackson, por exemplo. É só interessante.

O que a jovem senhora quer, afinal, não é surpreender. Quer apenas que você dance com ela. E pede isso claramente em várias partes do disco, mesmo quando a música não trata especificamente do tema. É o caso de Incredible, a sétima faixa. É uma conjunção doce de notas óbvias que fariam uma balada, se não fosse a mão forte no ritmo que têm os Neptunes. No meio da música, tudo muda. Vira uma coqueluche de luzes coloridas para, finalmente, Madonna conclamar: “You’re welcome to my party” (“Você é bem-vindo à minha festa”).

Para não dizer que não existem polêmicas, a música seis, She’s not me, é um recado direto para quem gosta de encontrar uma nova Madonna em qualquer menina loira e sexy que canta minimamente bem. “Ela nunca terá o meu nome” é uma das várias provocações. A última das mais apontadas como “nova Madonna” foi Britney Spears. E o mais famoso de seus ex-namorados é ninguém menos do que Justin Timberlake, o grande companheiro de Madonna no disco. Essa música não está entre as dele no disco, mas deve dar burburinho. Esse clima de fofoca - uma pena - pode acabar abafando os louros da canção, a mais interessante do disco. Começa com um baixo funkeado, seguido de uma guitarra, ao fundo, no mesmo gingado. Tem tudo para ser o refrão mais cantado das pistas, com direito a braços para o alto e olhinhos fechados. A música acaba se estendendo demais em barulhos e frases repetidas - poderiam ter cortado o minuto final - mas foi a alquimia de melhor resultado.

Acompanhando She’s not me entre as melhores está Dance tonight, de novo com o tema da dança. Mais uma vez o baixo, desta vez junto de uma batida quadrada, quatro por quatro, e uma mensagem no melhor estilo auto-ajuda - “Você não precisa ser bonito para ser amado / Você não precisa ser rico e famoso para ser bom”.

O disco termina com Voices, com influência direta da Cabala, uma vertente mística do Judaísmo que Madonna assumiu como religião. “Quem é o senhor, que é o escravo?”, pergunta logo de cara um coral de vozes com jeitão gospel. A música tem um tom pretensioso, cheia de guinadas de sopros e um órgão tão sintético quanto suco de laranja em caixinha. É mais ou menos assim: depois de se acabar de dançar, é hora de aquietar um pouco e ouvir a mensagem positiva. Uma espécie engajada de “chill out”, expressão da turma da música eletrônica para a trilha sonora de quem quer descansar um pouco do pancadão.

O lançamento mundial é no dia 28 de abril. Lá fora, o disco será vendido primeiro em plataforma digital, exclusivamente no site de músicas iTunes. Por aqui, o disco já está em pré-venda na internet, nas chamadas lojas “pontocom”. Se a tática de guerra da gravadora contra a pirataria der resultado (é difícil, mas... quem sabe?), só esperando o fim do mês para dançar com Madonna.

Por Rafael Pereira (18/04/2008)

 

 

Mesmo com top produtores, faltam força e
personalidade ao "Hard Candy" de Madonna

Os nomes de peso impõem uma certa moral, mas nem Timbaland, Pharrel Williams, Justin Timberlake e Nate "Danja" Hills salvam "Hard Candy", o comentado (e aguardado) 11º álbum de estúdio de Madonna, que chega às lojas do país em 29 de abril.

Tudo bem que a tarefa de surpreender de novo depois do sensacional "Confessions on A Dancefloor" não é das mais fáceis, mas pra quem sempre soube se reinventar, quase sempre à frente do tempo do mundo, "Hard Candy" decepciona.

Com aqueles que são considerados os melhores produtores de hip hop à sua disposição, a black music serve de ingrediente principal no álbum, bem acompanhada de disco e electro também. O hip hop de Madonna é assim, meio popozuda, com um pezinho no gueto e cabeça no mundo pop.

"Candy Shop" e "Four Minutes", nas versões que já tocam no rádio e nas paradas de sucesso, abrem o CD com força total no hip hop, seguidas por "Give It 2 Me", animadinha mas repetitiva, e "Heartbeat", menos linear e com um funkeado rebolativo bom pelo meio.

"Miles Away" é uma balada grudenta, com um violão bonitinho na abertura, mas nada de mais, assim como "She's Not Me", salva do gongo no último minuto com uma loucurinha de oscilação nos vários elementos da música, que dá uma certa modernidade à faixa.

É tudo pop pop pop. Mas tão pop que pasteuriza e fica sem personalidade, em vários momentos, lembrando Kylie, Shakira, Nelly e cia.

Mas nem tudo é ruim em "Hard Candy", que tem em "Beat Goes On" seu melhor momento. No CD, a música ganha uma versão completamente diferente da que havia vazado, esperta na produção, elaborada, com Madonna cantando mais solta e uma ótima participação de Pharrel nos vocais.

Na seleção das faixas mais legais ainda cabem "Spanish Lesson", momento latino e sexy, com guitarra espanhola na abertura e um quê de pancadão salpicado pelo meio, e "Devil Wouldn't Recognize You", com synths, guitarra e um climão com piano, som de chuva e trovões no meio.

Por Sergio Amaral (18/04/2008)

 

 

Na busca por inovar, Madonna é a "material girl" de sempre

Em entrevista publicada no último dia 11 na Ilustrada, Madonna declarou que hoje, 25 anos após o disco de estréia, sua música está mais complexa. "Minhas canções atuais têm mais senso de ironia ou contradição que no passado", disse. Não é o que mostra "Hard Candy" (Warner), seu mais recente CD, que chega ao Brasil no dia 28.

O disco traz a "material girl" de sempre. Ou seja, é mais uma coleção competente de faixas dançantes. E só. Nem menos nem mais que isso. Quem acha Madonna uma deusa continuará pensando assim. Quem discorda não vai mudar de idéia. Para tentar reciclar seu público e se manter em dia com o que há de novo no pop, de tempos em tempos Madonna faz parcerias com artistas em alta entre os jovens. Em 1998, por exemplo, chamou William Orbit para produzir "Ray of Light". "Music" (2000) foi produzido também por Orbit e pelo francês Mirwais. Há alguns anos, tentou se aproximar de Eminem, que a teria esnobado.

Ela volta a recorrer a esse artifício em "Hard Candy": Timbaland e Pharrell Williams produziram o disco, que tem vocais do popstar Justin Timberlake.

Timbaland e Williams estão entre os produtores mais requisitados dos EUA. O primeiro já trabalhou com a nata do hip hop (Missy Elliott, Jay-Z); o segundo é a alma por trás de "Justified", CD que fez de Timberlake um astro respeitado pela crítica. A soma desses talentos, porém, não torna "Hard Candy" um CD excelente. Em algumas faixas, a química não funciona. É o caso de "She's Not Me", "Incredible" e "Beat Goes on", as três produzidas por Williams. O americano exagerou na dose de batidas mirabolantes e barulhinhos, deixando as faixas sem unidade, sem cara.

Williams também errou ao homenagear os anos 80 nas três músicas, abusando dos sintetizadores. Em outros momentos, os produtores acertam, e Madonna erra. "4 Minutes" é um exemplo. Os vocais mal dizem a que vieram. Timberlake canta nessa e em "Dance 2night", "Devil Wouldn't Recognize You" e "Voices", mas suas participações são discretas demais. Se o CD fosse um filme, não seria errado dizer que ele faz uma ponta.

Algumas faixas, porém, compensam os tropeços. A de abertura, "Candy Shop", com seus beats meio afro, é um dos pontos altos. Remete aos bons momentos de Missy Elliott. "Spanish Lessons" -uma aula de espanhol, literalmente- vai pelo mesmo caminho, com potencial para incendiar pistas. A quase balada "Miles Aways", mais íntima, é outro acerto. Pegando carona na moda, Madonna flerta com o funk carioca na monótona "Give It 2 Me".

As letras são fracas, como sempre. A maioria mescla feminismo de botequim com pitadas de hedonismo. "She's Not Me" ("Ela tenta ser/ Mas ela não sou eu") parece recado às aspirantes a Madonna, que faz 50 anos em agosto. Mas "Hard Candy" garante sobrevida ao mito, que segue nota dez em marketing e cinco em música.

Avaliação: bom
Por Bruno Porto (18/04/2008)

 

 

Madonna se perde em modernidade artificial de "Hard Candy"

No próximo dia 28 de abril, a pop star Madonna, 49, lança o décimo primeiro álbum de sua carreira, "Hard Candy". O novo disco --último da cantora norte-americana pela Warner Music-- traz a participação especial de figuras conhecidas do universo hip hop como Pharrell Williams, Justin Timberlake e Timbaland.

Cheio de contrastes e de contradições --no trabalho completo e não em cada faixa, como havia proferido a cantora--, "Hard Candy" surpreende ao princípio pela frescura, mas decai ao longo de sua execução e não chega, nem de perto, a ser uma obra genial.

Se, por momentos, "Madgesty" --apelido de Madonna que brinca com sua "realeza"-- parece se divertir como uma adolescente feliz em um bar futurista no oriente nas férias, por outros parece uma cantora repetitiva e perdida, andando por becos escuros e artificiais de uma metrópole luxuosa como Londres ou Nova York.

O álbum, que em diversos trechos remete a outras fases e músicas da cantora (seja em sonoridades, letras ou estilos), peca pela vontade desesperada de inovar. A impressão é a de que, apesar de Madonna nunca ter feito algo ao menos parecido com "Hard Candy", muitos outros artistas --até mesmo o próprio convidado Justin Timberlake-- já usaram e abusaram de certas fórmulas exploradas no disco.

No entanto, vale esclarecer que esta "decepção" que o álbum pode trazer, se deve exclusivamente ao fato de que é um lançamento de Madonna sendo analisado, já que, quando se trata da cantora, o mínimo que se espera é vanguarda absoluta e uma artista à frente de seu tempo.

A idéia geral é que, para criar "Hard Candy", Madonna se reapropriou de tudo que conhece, gosta e anda em voga no universo pop de hoje, de batidas sexy a vocais pegajosos, passando por metáforas de poder e muitas, mas muitas, referências à si mesma.

Trocando em miúdos, sem querer copiar ninguém e não parecer repetitiva, Madonna se perdeu em meio aos tantos conceitos "modernos" e artificiais que quer apresentar em "Hard Candy" e parece que, desta vez, não conseguiu elevar um disco seu ao status de arte.

A seguir, confira a análise completa do novo álbum de Madonna, faixa a faixa.

"Candy Shop"
O novo trabalho de Madonna abre com "Candy Shop", canção que, além de explicar a temática adocicada do álbum, também já convida os ouvintes ao ritmo dançante que será explorado em todo o disco.

"4 Minutes"
No hino do CD, que já tem vídeo disponível no YouTube, a cantora volta a abordar a questão do tempo, como em "Hung Up", primeira música de trabalho de "Confessions On The Dancefloor".

"Give It 2 Me"
Grande destaque de "Hard Candy" e talvez a melhor faixa do disco --não por acaso Madonna veste um cinturão na capa do CD com o nome da música--, a canção bem dançante é cheia de efeitos sonoros. Lembra, ainda que de forma distante, Gogol Bordello, banda "adotada" por Madonna desde os shows do Live Earth.

"Heartbeat"
A música, que poderia ser classificada como "hip hópera", aposta em agudos da cantora e em um ritmo que remete aos anos 80, porém, de com aura metafórica. Poderia ser uma música de Kylie Minogue, cheia de rimas fáceis e gostosas.

"Miles Away"
Uma das músicas mais insossas do álbum, "Miles Away", que possivelmente fala da relação da diva com seu marido Guy Ritchie quando viviam em continentes separados, é repetitiva, mas ganha pela batida, ideal para reuniões entre amigos em casa.

"She's Not Me"
Forma poética de Madonna dizer "depois de mim, ninguém". A música, que fala sobre a substituição da cantora por outra mulher, tem rap forte, elementos do groove e uma collage de estilos. No final, parece que o tema remixa a si mesmo.

"Incredible"
A faixa, que começa com sons que lembram o de uma cobra cascavel, é a mais adolescente e uma das mais fracas de "Hard Candy". Com sonoridades que remetem ao reggaton, a música termina com uma Madonna em cólera e confusa, bradando que "precisa pensar sobre isso"...

"Beat Goes On"
Uma surpresa para quem já tinha ouvido esta faixa na época em que vazou, no final do ano passado. Com outros arranjos e mais "evoluída", a faixa funciona, surpreende e faz dançar. Ponto para Madonna.

"Dance 2night"
Faixa perfeita para dançar sorrindo, "Dance 2night" é um dos pontos altos do álbum. Muito dançante, a música volta a explorar a filosofia de que "music makes the people come together" ("música faz as pessoas ficarem juntas"), iniciada no álbum e na faixa "Music", de 2000.

"Spanish Lessons"
Uma das faixas mais esperadas pelos fãs hispânicos da cantora, "Spanish Lessons" decepciona de cara. Literalmente uma aula de espanhol em áudio, a canção, ainda que com um ritmo quente e tipicamente latino, escorrega no excesso de gemidos de Madonna e na chatice da letra.

"Devil Wouldn't Recognize You"
Música cult e "gangsta" do álbum. Obscura e satírica, a faixa, que traz sons de chuva no meio de suas batidas, oferece uma atmosfera "religiosa", porém, sem pregar ensinamentos. O violão dedilhado do final ganha pela surpresa.

"Voices"
"Hard Candy" termina com Justin Timberlake perguntando: "Who's the master and who's the slave?" (na tradução livre, "quem é o mestre e quem é o escravo?"). A faixa, que poderia ser trilha de Gotham City, fictícia cidade de Batman, analisa a questão do poder e das estruturas, tão presente na carreira de Madonna.

Por Tino Monetti (18/04/2008)

 

 

Em novo álbum, Madonna se aproxima do hip hop dançante
O G1 ouviu “Hard candy”, que chega às lojas no dia 28 de abril.
CD traz faixas dançantes do início ao fim e participação de Justin Timberlake.

“Get up off your seat” (levante da cadeira), canta Madonna na faixa “Candy shop”, que abre seu novo álbum. A promessa da cantora é cumprida. “Hard candy”, que chega às lojas brasileiras no dia 28 de abril, aposta em canções dançantes do início ao fim, flerta com batidas dançantes da house e do funk e sela uma aproximação com o hip hop.

A participação especial de Justin Timberlake e a produção do próprio ao lado de Timbaland, Pharrell Williams e Nate "Danja" Hills (responsável pelo último de Britney Spears) em diferentes faixas são indício de onde Madonna quer chegar em “Hard candy”: as canções ecoam momentos de Missy Elliot, Gwen Stefani e outros artistas que já trabalharam sob a responsabilidade desses nomes.

Isso fica particularmente evidente em “4 minutes”, primeiro hit do álbum, em que Timberlake traz seus vocais, além de “Candy shop” e “The beat goes on”, que combinam base funkeada, refrões grudentos, riffs eletrônicos e solos vocais de rap.

Contraste
Mas a “rainha do pop” não poderia deixar de dar seu próprio “twist” ao álbum. O título “Hard candy” – que é o nome que se dá àquelas balas duras, coloridas e transparentes, do tipo quebra-dente – propõe um contraste entre o sabor doce e a atitude durona.

Aliás, contraste, aqui, é palavra de ordem, especialmente nas faixas “Heartbeat”, “She’s not me” e “Incredible”, que combinam uma batida pesada e grave com vocais delicados, cheios de doçura.

“Hard candy” também traz surpresas como “Miles away” e “Spanish lessons”, que trazem uma mistura inusitada de hip hop e violões acústicos de acento latino, como já havia experimentado de certa forma na clássica "La isla bonita".

O disco é o 11º trabalho de estúdio da carreira de Madonna e sucessor de "Confessions on a dance floor", que estreou no número um da parada norte-americana em novembro de 2005 e vendeu mais de 8 milhões de cópias.

Avaliação do G1: 8,0
Por Carla Meneguini (18/04/2008)

 

 

Apesar das boas músicas, falta unidade
a ‘Hard candy’, de Madonna

Produtores de rap badalados não salvam novo álbum dos clichês.
Faixas como 'She's not me' e 'Spanish lessons' se perdem no repertório.

Como um convite para uma visita à sua “loja de doces”, a cantora Madonna abre o seu mais novo álbum, “Hard candy”, com um petardo pronto a fazer o ouvinte cair na pista de dança. “Candy shop” é um dos pontos altos do trabalho que será lançado no próximo dia 28, e que tem gerado expectativa principalmente por reunir um time formado pelos mais badalados produtores de rap da atualidade: Timbaland e Pharrell Williams, além de Nate “Danja” Hills, responsável por “Blackout”, de Britney Spears.

“Four minutes”, com seus graves em evidência, e “Beat goes on”, com uma participação de Williams rimando lá pelo meio, são sérias candidatas a entrar para a lista de melhores músicas do ano. Elas representam a síntese do pop contemporâneo, inevitavelmente pontuado pela batida contagiante do hip hop e bases que abrem espaço para a música eletrônica e o funk.

A certa altura do álbum, porém, essa fórmula azeda. Composições sem personalidade, que poderiam ter saído de qualquer coletânea para fazer dançar, tornam o recheio de “Hard candy” um tanto sem graça. É como se Madonna refizesse o caminho de volta para os anos 90, sem acrescentar aquela pitada de personalidade que poderia fazer a diferença. “Incredible”, “Give it 2 me” e a desacelerada “Heartbeat” estão entre os tropeções.

O auge da confusão surge com “She’s not me”, mais uma faixa que se perde no meio da ansiedade por concretizar tantas idéias. A coisa desanda quando se ouve a letra - uma parte diz algo como “ela vai fazer o seu café e te amar no chuveiro” – até esbarrar em uma mudança abrupta na melodia, com direito a guitarras, apitos e outros ruídos que embolam o meio de campo.

E, como a rainha do pop parece nunca estar satisfeita, “Spanish lessons” é o maior destaque na ala das esquisitices. A pegada latina do início até empolga, mas não dá para agüentar, literalmente, uma aula de espanhol com Madonna às custas de frases bobas traduzidas para o inglês. A sensação que fica é essa: apesar dos bons momentos, falta coesão a “Hard candy”.

Avaliação do G1: 5,0
Por Lígia Nogueira (18/04/2008)

 

 

Madonna investe forte em seu novo CD e convida os nomes mais poderosos do pop

Madonna trabalhou duro para fazer ‘Hard Candy’, seu aguardado novo disco, que será lançado mundialmente daqui a 10 dias. Deu até injeção de vitamina B12 no traseiro de um gripado Justin Timberlake. Menos pelo traseiro do rapaz, dos mais cobiçados do pop, e mais, como ela justificou, para não perder mão-de-obra no estúdio.

Ao lado de Pharrell Williams (da dupla Neptunes, produtora de Gwen Stefani) e Timbaland (o homem que repaginou Nelly Furtado), Justin (o ex mais bem-sucedido de Britney Spears) é uma das ‘grifes’ reunidas pela artista para tocar as turbinadas 12 faixas do CD, que não abre espaço para baladas: é um pancadão alucinado, direcionado às pistas de dança e destinado às listas dos mais vendidos.

Madonna explicou com simplicidade seu processo de escolha da produção. “Eu não tinha a menor idéia de que tipo de música queria fazer (depois de ‘Confessions On A Dance Floor’, de 2005, inspirado pelo house europeu). Então, pensei: quem está fazendo os discos de que eu gosto?”, disse ela à revista americana ‘Vanity Fair’.

Talvez pudesse dizer: quem mais vende discos atualmente? Como se estivesse numa loja de doces, escolheu a dedo os nomes de maior sucesso na música jovem atual. E Justin, Pharrell e Timbaland passaram açúcar em Madonna. Mas não foi assim tão simples para ela.

“Eles são muito ocupados, trabalham com diversos artistas diferentes, estão em turnê... Então parece que levou muito mais tempo do que eu costumo levar para fazer um disco, por causa desses períodos todos de espera nos intervalos”, disse Madonna numa entrevista ‘oficial’ divulgada por sua gravadora, Warner Music, que ontem promoveu uma audição do CD. Foi uma corrida perdida: na quarta-feira, o disco já estava disponível em algumas páginas de downloads (ilegais) na Internet.

Madonna, porém, não luta contra o que não pode. Tanto que fechou contrato com a empresa Live Nation, que passará a administrar sua carreira e seus shows — a turnê de ‘Hard Candy’ deve passar pelo Brasil ano que vem. “A única coisa que não se pode downloadear é a performance ao vivo. Isso eu sei fazer e isso ninguém me tira”, disse à ‘Vanity Fair’.

Prestes a completar 50 anos, ela malha ouvindo ‘Blackout’, último CD de Britney. Não por acaso, Danja, um dos produtores desse disco, aparece em duas faixas de ‘Hard Candy’, que sofre de overdose de produção: em vários momentos, o tamborzão de Timbaland, Pharrell e Justin rivaliza com o carisma de Madonna. Mas, como diz o título do filme que lançará este ano, ‘The Filth and the Wisdom’, ela ainda se equilibra bem entre o lixo e a sabedoria.

Por Ricardo Calazans (18/04/2008)

 

 

Diva não abaixa a cabeça

Madonna é esperta. Em baixa no mercado dos EUA desde que alfinetou ícones da cultura do Tio Sam no CD ‘American Life’, ela buscou refúgio nos batidões de Timbaland e da dupla The Neptunes, os Midas dos discos de ouro. ‘Hard Candy’ é moldado pelas vibrantes camadas de sons construídas pelos produtores para músicas como ‘Give It 2 me’, de apelo pop, e ‘Heartbeat’.

Mesmo longe da pulsação inglesa, que moldou seu álbum anterior, ‘Confessions on a Dance Floor’, Madonna não se anulou para deixar a turma reinar. Sua personalidade não fica soterrada no flerte com funk e dance pop, que já fazia anos 80.

A fórmula pode ser a mesma que levanta Britney Spears e Cia., mas tem muito de Madonna nos versos indignados de ‘She’s Not Me’, no tom sombrio de ‘Devil Wouldn’t Recognize You’ e até na dispensável exploração dos clichês do flamenco de ‘Spanish Lessons’, a pior faixa. Em essência, Madonna pede colo aos EUA. Mas sem abaixar a cabeça e perder a atitude que move sua música há 25 anos.

Por Mauro Ferreira (18/04/2008)

 

 

Madonna lança 'Hard Candy' e se arrisca no hip-hop
Cantora mistura o pop que a tirou do anonimato com a black music em um álbum antecipado pela internet

Nesta segunda-feira, 28, o mundo assiste ao lançamento de Hard Candy, o aguardado novo álbum de Madonna, de 49 anos, em parceria com alguns grandes nomes de um gênero até então inexplorado pela rainha do pop. Em seu último disco pela Warner, gravadora da popstar há mais de 20 anos, a cantora aposta no hip-hop e na black music, sonoridades do momento, após uma década nada generosa.

Madonna, que até 2000 emplacava consecutivos sucessos nas paradas americanas, viu sua popularidade despencar nos Estados Unidos durante os últimos anos. Entre os críticos, há várias teorias para explicar a mudança - uns dizem que American Life (2003), disco no qual a cantora fez duras críticas ao estilo de vida americano, colocou os EUA contra a popstar, enquanto outros simplesmente afirmam que seu reinado acabou, já que agora os jovens prefeririam artistas mais novos.

Em American Life, Madonna abordou a polêmica invasão americana no Iraque. O clipe original da faixa-título mostrava um desfile de moda com americanos se divertindo em meio a imagens da guerra, que passavam num telão junto à passarela. O vídeo foi vetado no último minuto pela própria cantora e uma versão editada - bem mais leve - foi lançada mundialmente. Nessa época, a artista já estava morando na Inglaterra.

A crítica americana não gostou. Alguns diziam que o fato da "material girl" sair do país e criticar o modo de vida americano não pegou bem. Como resultado, apesar das boas vendas em alguns países europeus, American Life se tornou um dos discos menos vendidos de sua carreira.

Depois de American Life, Madonna ainda lançou Confessions On a Dance Floor (2005) que, apesar de obter boas vendagens na Europa, novamente não emplacou no mercado americano.

Por outro lado, com Nelly Furtado, Fergie e Justin Timberlake (co-produtor de Hard Candy) dominando o cenário da música atual, parte da crítica diz que o tempo da popstar passou. Seria possível uma mulher de quase 50 anos concorrer com as novidades?

Com esses fatores em mente, Madonna, que sempre foi reconhecida por conduzir sua carreira com mãos de ferro, alia-se agora a Timbaland, o homem por trás dos sucessos de Justin e da canadense Nelly, cujos álbuns dominaram as listas de vendas nos Estados Unidos e emplacaram hit atrás de hit no mercado americano. E a cantora já colhe frutos do novo trabalho: 4 Minutes, o primeiro single de Hard Candy, chegou no primeiro lugar da parada oficial das músicas mais baixadas nos EUA, posição que também ocupa atualmente em vários países da Europa no ranking do iTunes, a maior loja online de música digital do planeta.

Com o novo disco, as expectativas de Madonna são altas. Para começar os trabalhos de divulgação, na quarta-feira, 30, ela fará um show em Nova York, que terá transmissão online através do site do MSN. "Eu vou te arrebentar, mas você vai gostar", brincou a cantora em sua página oficial na internet.

Candy Shop, Miles Away e Give It 2 Me são algumas das 12 faixas do novo álbum, que ainda contou com a colaboração do rapper Pharrell Williams e Nate "Danja" Hills, que também assinou a produção de Blackout (2007), último álbum de Britney Spears. Coincidência ou não, recentemente Madonna afirmou que o álbum de Britney é sua trilha sonora preferida para a malhação.

Sobre as colaborações, a cantora conta que conciliar as agendas de tantos nomes de peso não foi fácil. "Os produtores são muito ocupados e trabalham com muitos artistas diferentes. Parece que levou muito mais tempo do que o de costume para fazer um álbum."

Lançamento antecipado
No começo da semana passada, apesar dos esforços da Warner para não deixar que o disco vazasse na rede, as 12 faixas de Hard Candy já eram oferecidas por dezenas de sites de downloads ilegais. O mesmo aconteceu com o clipe de 4 Minutes, que apareceu na internet antes de seu lançamento oficial. Na sexta-feira, 25, a gravadora se rendeu e postou o álbum por completo na página da cantora no site de relacionamentos MySpace. Madonna, no entanto, se defende como pode e começa a explorar as novidades do mercado.

A popstar fechou um contrato de US$ 120 milhões (cerca de R$ 200 milhões) com a empresa de shows Live Nation, para gerenciar seus próximos lançamentos e turnês, principal meio de faturamento de Madonna. Sua última excursão mundial, a Confessions Tour, entrou para o livro dos recordes, arrecadando US$ 260 milhões (cerca de R$ 442 milhões) em apenas quatro meses. "A única coisa que não se pode baixar é uma performance. Isso eu sei fazer", declarou a cantora em entrevista a revista Vanity Fair.

Com Hard Candy, a quase cinqüentona rainha do pop tem a difícil tarefa de reconquistar os EUA, e mais uma vez promete abalar as pistas de dança com o divertido disco que está lançando - sem a profundidade de Ray Of Light (1998), mas com o entusiasmo de Music (2000). Em meio à mesmice atual, os fãs de música pop agradecem.

Por Gabriel Pinheiro (28/04/2008)

 

 

Uma prévia do novo álbum da sapeca Madonna
Hard Candy será lançado mundialmente no dia 28, mas, claro, faixas já ''vazaram''

A poucos meses de virar cinqüentona, Madonna demonstra não perder o fôlego. Seu novo disco, Hard Candy, que será lançado mundialmente no próximo dia 28, é mais um convite para as pistas de dança. Com faixas produzidas por Justin Timberlake, Timbaland, The Neptunes (Pharrell Williams e Chad Hugo), o disco tem um punhado de músicas puxadas para o hip-hop e seu velho pop, daquelas capazes de fazer tremer danceterias mundo afora.

A Warner, que havia disponibilizado uma delas, 4 Minutes, já em março, apresentou o CD ontem aos jornalistas do Rio (o clipe da música, com Madonna e Justin, foi exibido pelo Fantástico). Apesar das tentativas da gravadora quanto à segurança, outros temas já haviam vazado no exterior, para delírio dos fanáticos por Madonna espalhados pelo planeta.

Quando tiverem o CD em mãos, eles provavelmente vão se deliciar com músicas como Candy Shop, Give it 2 me, Heartbeat, She''s not me, Incredible, Beat goes on e Miles away. As seis primeiras foram escritas por Madonna e Pharrell Williams e produzidas pelos Neptunes (das mais badaladas do momento nos Estados Unidos). Têm a batida que é a marca da dupla. A última, dela e de Justin (o ex-N''Sync e ex-namorado de Britney Spears que virou um dos maiores astros pop americanos), ficou na mão de Timbaland, assim como outras menos dançantes: Devil wouldn''t Recognize You e Voices.

Madonna surge divertida em Spanish Lessons - em que ensina: ''Yo te quiero means (significa) I love you'' (a cantora disse numa entrevista recente que usou todo o espanhol que sabia na canção, escrita por ela e Williams) - e She''s not me (de sonoridade anos 80, assim como Heartbeat), cuja letra alerta que ela é única: ''Ela não sou eu/ e nunca será.'' Em Give it 2 me, ela é a boxeadora da capa (Madonna posou de lutadora sexy-chic, de cinturão dourado com um M no meio), chamando para a briga: ''Me mostra o que você tem/ eu vou conquistar o mundo.''

Hard Candy é o 11º disco da loura, e o último que sai pela Warner. Os que vierem a partir de agora ficarão a cargo da Live Nation, gravadora que fechou com Madonna um contrato de US$ 120 milhões, pelos próximos dez anos.

Por Roberta Pennafort (18/04/2008)

 

 

Madonna, hip-hop e high tech
Em Hard Candy a cantora faz som jovial e contemporâneo com parceiros de peso

Desde o começo de sua fabulosa carreira, Madonna se aproximou de produtores tidos como geniais pela turma do underground, mas desconhecidos do grande público. Foi o que manteve sua modernidade perante as massas. Em Hard Candy, trabalho que será inevitavelmente relacionado ao cinqüentenário da material woman (16 de agosto), ela novamente cercou-se de grandes homens de estúdio, mas desta vez juntou os consagrados produtores Timbaland e Nate “Danja” Hills (os magos por trás de sucessos de Justin Timberlake, Nelly Furtado e Britney Spears), Pharrell Williams (que produziu Gwen Stefani) e o próprio Timberlake. Assim, Madonna injetou juventude em sua música dançante e libidinosa.

O décimo primeiro álbum da mulher mais rica da história da música, que será lançado no mundo no dia 28 de abril, tem o refinamento estético e o tom futurista do hip-hop contemporâneo, definitivamente moldado em estúdios high tech. Como se trata de Madonna, há mais concessões do que normalmente se ouvem nos trabalhos desta turma, traduzidas em canções com formato mais tradicional, como “Spanish Lesson” – a soul music que namora com os clichês de flamenco em que a norte-americana arrisca algumas frases em espanhol – e “Give It 2 Me”, faixa típica para as pistas de dança, com um pé na house music.

“Candy Shop” é mais híbrida, com um sotaque tribal high tech e a cadência sensual do hip-hop. “4 Minutes”, a faixa do primeiro videoclipe, que já pode ser visto no YouTube, é um belo cartão de visitas: ao dividir os vocais com Madonna, Timberlake encarna um Michael Jackson dos bons tempos e protagoniza um duelo sensacional com a mulher que tem vitalidade de garota e idade para ser sua mãe.

Por Tânia Nogueira (20/04/2008)

 

 

Madonna, Hard Candy

Hard Candy, o álbum em que Madonna se deixa contaminar pelo hip hop norte-americano depois de uma longa fase européia, obriga alguns saltos no tempo.

Estamos de volta, no estalo de um scratch, à segunda metade dos anos 90, quando o hip hop renascia nas paradas de sucesso dos Estados Unidos como mina de ouro - um gênero reformulado para aliar a atitude agressiva do rock com um apelo dançante, radiofônico por excelência. A corrida pela batida perfeita popularizou rappers como Missy Elliott e, acima de tudo, alterou o figurino de cantoras de soul e pop como Aaliyah e Nelly Furtado, prontas a servir à "má influência" de produtores formados na escola do rap. Os principais arquitetos desse fenômeno comercial, que ainda bate com algum impacto no dial, atendem por Tim Mosley (o Timbaland) e por Neptunes (duo formado por Pharrell Williams e Chad Hugo).

Enquanto a pista fervia e moedas tilintavam, Madonna não estava lá. Num corte brusco, enviava cartas do exílio. Em 1997, quando Timbaland quebrava a porta dos Top 10 com Supa Dupa Fly, de Missy Elliott, a material girl deixava a América para se aliar a produtores europeus. Na Inglaterra, encontraria na eletrônica de William Orbit o porto seguro para compor o introspectivo Ray of Light. Em 2002, quando Justin Timberlake - ele próprio, mais um ídolo em metamorfose - se deixou moldar por Timbaland e pelo Neptunes em Justified, a cantora flertava com a house francesa. Declarava amor pela Inglaterra, criticava o governo Bush, buscava na França o humor auto-irônico de trabalhos como American Life, de 2003, e Confessions on a Dance Floor, de 2005.

Hard Candy é apenas um 'álbum para dançar', segundo a musa escaldada. A aparência despretensiosa pode ofuscar o que há de mais curioso no disco: trata-se de um retorno ao lar, acerto de contas. Prestes a completar 50 anos de idade, Madonna finalmente demonstra interesse por interpretar a música popular norte-americana da última década, e o faz com a dedicação e a acidez de uma experiente comentarista do mundo pop. É um álbum sobre a América empapado de sarcasmo à inglesa. Existe uma estratégia em jogo - Timbaland, Pharrell e Timberlake, que praticamente gerenciam o disco, são hitmakers de berço -, mas ninguém trata o formato com inocência. "Escolha o sabor preferido, eu tenho para você", ela canta logo na faixa de abertura (resposta à misoginia de "Candy Shop", de 50 Cent). A idéia é, como em Music (de 2000), rir do próprio umbigo, mas ainda assim dançar conforme uma lógica abertamente comercial.

Com 200 milhões de álbuns vendidos em 24 anos de carreira, Madonna trata a música pop como um software que necessita de constantes atualizações para se manter eficiente. Como uma viúva negra, se deixou rejuvenescer com os truques de produtores como Nile Rodgers (em Like a Virgin, de 1984), Babyface (Bedtime Stories, de 1994) e Stuart Price (Confessions on a Dance Floor). Em Hard Candy, a estratégia ainda se aplica. É verdade que Madonna chega à festa do hip hop com atraso, sem o apelo do fator-surpresa - o álbum roda como uma seqüência tardia para Justified, de Timberlake, ancorado na disco music dos anos 70 e no pop colorido e despreocupado dos 80. Mas, seduzidos pela musa, Pharrell e Timbaland trabalham dobrado e, nesse esforço de criar um produto maior e melhor (caso contrário, compraremos outro), às vezes se superam, se reinventam. Principalmente Pharrell, leve e solto em chicletes como "Give it 2 Me", "Candy Shop" (com sintetizadores à Kraftwerk) e na doce "Heartbeat".

Nada muito diferente das bombonières de Nelly Furtado ou de Gwen Stefani. Conta a favor de Madonna, porém, a capacidade de amplificar certas tendências do pop e analisá-las com o olhar de uma performer madura, auto-irônica, capaz de forjar confissões, alfinetar a concorrência ("She's Not Me" vai direto ao assunto) e injetar veneno no sabor da estação. Seria essa a fórmula da juventude eterna?

Por Tiago Faria (abril/2008)

 


Em 'Hard Candy', Madonna segue tendências ao invés de ditá-las

Acostumada a ditar diretrizes para mundo da música pop - ou ao menos a pescar tendências e amplificá-las no mainstream -, desta vez, em seu novo disco, é Madonna que está seguindo tendências já estabelecidas.

Matriarca de uma longa linhagem de cantoras pop (Britney Spears, Gwen Stefani, Nelly Furtado, Cristina Aguilera, Kylie Minogue, Fergie etc.), a rainha do pop parece ter descido de seu trono supremo para ver o que tem dado certo entre sua prole e corte.

As evidências estão claras por todos os cantos de Hard Candy, das composições à escolha dos produtores do disco. Os requisitados Timbaland, Nate "Danja" Hills, Pharrell Williams e Justin Timberlake assinam a produção do álbum - produtores que, sozinhos ou em grupo, fizeram o mesmo em discos de Nelly Furtado, Britney Spears e Gwen Stefani.

Uma síntese do pop atual
Em 12 faixas, Madonna e seus quatro parceiros sintetizam o pop reinante do final desta década: formatos super-produzidos, batidas e rimas do hip hop, melodias do R&B moderno, programações eletrônicas e samples.

Hard Candy está imerso num grosso caldo de sintetizadores, batidas fortes e melodias pulsantes. O 11º disco de Madonna foi construído integralmente para a pista de dança, não há sequer uma balada para o ouvinte tomar fôlego.

Quatros faixas contam com a aparição e a co-autoria de Justin Timberlake. Uma delas é 4 Minutes, o primeiro single do disco - que escalou o topo das paradas logo que foi lançado. O rapper Kanye West também canta em Beat Goes On.

De novo uma nova Madonna
Com o aniversário de 50 anos de Madonna chegando em poucos meses, Hard Candy deixa a impressão de que a personalidade dominadora da loira possa ter amolecido com a idade. A feitura a oito mãos do disco, embora aparentemente democrática, resultou numa obra um tanto impessoal e pouco autoral para os padrões consolidados pela cantora.

Em seu disco anterior, Confessions on a Dancefloor (2005), Madonna reconfigurou de forma brilhante elementos da música dançante dos anos 70 sem perder sua assinatura. Em Hard Candy, ela tenta acertar a veia do pop atual, mas erra a medida em certos momentos e acaba abusando demais de clichês - e as referências a outros trabalhos feitos por seus colaboradores Timbaland, Timberlake, Williams e Danja tornam-se mais claras do que deveriam ser.

Por outro lado, é interessante perceber que este novo disco é possivelmente o menos pretensioso da carreira da loira. Por mais que possa ter havido maquinações cirúrgicas durante a composição e produção deste novo trabalho, Hard Candy apenas transpira o que sempre foi o norte de Madonna: criar músicas pop para dançar.

É como ela mesmo diz em Heartbeat: "suar em bicas, é para isso que música serve".

Por Sávio Vilela (28/04/2008)

 

 

Madonna abraça novos ritmos em 'Hard Candy'

A polêmica cantora Madonna mudou seu estilo mais uma vez. Considerada uma das divas da música pop mundial desde a década de 80, desta vez a artista escolheu navegar pelo Hip Hop e o r&b em seu novo álbum, Hard Candy.

O novo trabalho da cantora tem a participação de três grandes nomes da música norte americana: o rapper Pharrel Williams, o cantor Justin Timberlake e o incensado produtor dinâmica Timbaland. Williams escreveu em parceria com Madonna seis das onze canções do disco.

As outras cinco foram compostas pela cantora ao lado de Justin. O mais novo queridinho da América ainda participa nos vocais de quatro músicas, entre elas 4 minutes, primeiro single a tocar nas rádios.

Numa audição exclusiva para imprensa, fica claro que em Hard Candy Madonna aderiu de vez ao ritmo quebrado do hip hop em suas canções, abandonando as baladas românticas e optando por vocais frenéticos e cadenciados. A capa de Hard Candy tem um visual extravagante e sensual, com a cantora vestida de boxeadora provocante.

Por Daniel Gonçalves (18/04/2008)

 

 

Novo disco de Madonna reafirma influência
do hip hop na música pop

Para fazer seu décimo primeiro álbum de estúdio, "Hard Candy", Madonna foi buscar os produtores mais inventivos do hip hop nos últimos tempos. Das 12 faixas, sete foram produzidas pelo duo The Neptunes (Beyoncé, Justin Timberlake), e as outras cinco por Timbaland (Nelly Furtado, Björk), sendo duas em parcerias com Danja, seu pupilo. Pharrell Williams, o nome mais conhecido do Neptunes, assina também as faixas que produziu, e é o responsável pela sonoridade agregada à "Hard Candy".

"Eu amava os discos deles", diz Madonna, em entrevista divulgada pela gravadora Warner, sobre os novos produtores e parceiros. "Eu estava pensando: que tipo de música eu adoro neste momento? E eram esses três", completa. O primeiro single, que já está na web e teve o clipe exibido em grandes emissoras de TV, é "4 Minutes", a mais dançante do disco, que investe pesado no funk eletrônico e tem os vocais do cantor Justin Timberlake, que fez a ponte entre a cantora e os produtores. O UOL teve acesso à integra do álbum na manhã desta quinta-feira, durante audição na sede da gravadora.

Segundo Madonna, a música, inicialmente chamada "Four Minutes To Save The World", "veio dessa idéia, de poder salvar o mundo com uma música". "4 Minutes" aparece espremida por duas outras faixas dançantes, "Candy Shop", que abre o CD em alto astral, atualizando o dance com o funk eletrônico, e "Give It to Me", com estética retrô, chupada do funk setentista e que lembra até outras atualizações dele, feitas, quem sabe, por MC Hammer nos anos 90 ("U Can't Touch This"), ou por Falco nos 80 - "Der Kommissar".

O disco dá uma certa caída nas faixas seguintes, nas quais os beats descolados por Pharrell aparecem mais calmos. Em "Miles Away", a primeira feita por Timbaland, o arranjo enfatiza o som orgânico de uma bateria. Em "She's Not Me", a própria cantora reconhece o clima retrô: "É muito velha guarda, nós estávamos escutando discos de Debbie Harry quando a fizemos. Acho que é quando Debbie Harry encontra Gloria Gaynor". Os graves salientes realmente não negam a referência a "I Will Survive".

O funk eletrônico de Pharrell Williams esbarra em sua versão carioca, reconhecida no exterior como parte da música eletrônica contemporânea. É o que acontece em "Incredible", que retoma timidamente o pique do início de "Hard Candy", sem perder um certo halo retrô. "Tem um tipo de homenagem a Marvin Gaye", entrega Madonna. "E rap do Kanye West", contrapõe. "Estávamos canalizando muitos artistas diferentes do passado nessa música". Outra que flerta com os sons dos morros do Rio é a quase charme "Beat Goes On", em que Kanye West, que gravava num estúdio vizinho, desfila o palavreado de rapper com muita propriedade.

Já "Dance Tonight" tem a participação vocal de Justin Timberlake, é mais cadenciada e abre espaço para a curiosa "Spanish Lessons", com Madonna cantando em inglês e espanhol. "Essa nasceu com Pharrell tocando todas aquelas músicas de Baltimore, Maryland. Ficamos assistindo àqueles clipes na Internet de pessoas dançando", conta Madonna. A faixa, com uma introdução de viola flamenca, é uma das mais orgânicas do CD.

Para o final, duas baladas cool produzidas pela dupla Timbaland/Danja. "Devil Wouldn't Recognize You" é seguramente uma das melhores do disco, e "Voices" fecha o CD num relaxante sossego, inimaginável na hora em que a tecla play foi pressionada. "Eu apenas queria compor músicas que as pessoas não conseguissem tirar da cabeça", resume Madonna. E parece que, na maior parte do disco, ela conseguiu. De novo.

"Hard Candy" tem lançamento mundial previsto para o dia 28 de abril, no Brasil e Europa, e no dia seguinte nos Estados Unidos. Uma edição japonesa traz uma décima terceira faixa, "Ring My Bell" --que não é o clássico disco de Anita Ward, gravada em 1979. Apesar dos esforços da gravadora, além do single "4 Minutes", trechos de outras músicas já podem ser ouvidos na Internet.

Por Mascos Bragatto (18/04/2008)

 

 

A mil aos 50
Novas parcerias e hip hop marcam novo disco de Madonna

No ano em que vai se tornar cinqüentona, Madonna decidiu letras1r na fonte da juventude de astros como Justin Timberlake. Em seu novo álbum, Hard Candy, cujo lançamento no Brasil e na Europa está previsto para 28 de abril, um dia antes do que nos Estados Unidos, ela deixa seu mais novo melhor amigo brilhar.

Em seu 11º disco de estúdio - que pretende superar as 8 milhões de cópias vendidas de seu antecessor, Confessions on a Dance Floor - a cantora não foge da fórmula: todas as faxias são feitas para dançar.

Apesar de anunciar que, desta vez, a grande influência é a batida club e o hip hop (daí a escolha de parceiros como Timberlake, Timbaland, Pharrell Williams e Nata "Danja" Hills, craques na área), o que ouvimos é a velha e boa Madonna. Aliás, a estrela foi lá atrás e, em muitas músicas, como na melódica Heartbeat, faz lembrar a voz de garotinha roliça dos tempos de Like a Virgin, da década de 80.

A escolha do nome Hard Candy (literalmente, "doce duro") tem a ver com sua paixão por guloseimas e, ao mesmo tempo, com atitudes não tão sensíveis assim.

- É uma justaposição de idéias. Do tipo: vou te dar um chute na bunda, mas isso fará você sentir-se bem - afirma Madonna no material de divulgação do álbum. O nome também é o mesmo de um filme estrelado por Ellen Paige, Sandra Oh e Patrick Wilson.

Apesar de o primeiro single do álbum, 4 Minutes, ter sido lançado oficialmente no fim de março, desde dezembro os fãs já haviam pescado na internet as faixas Candy Shop e Beats Goes On. Mas 4 Minutes foi uma boa escolha e veio acompanhado de um videoclipe cheio de coreografias - algumas bem conhecidas - ao lado do queridinho Justin Timberlake.

O cantor aparece como co-autor de cinco das 12 faixas (em quatro, divide os vocais). Em Dance Tonight - assim como ela fez em Into the Groove e Music - , convida todos a dançar com versos como "Você não precisa ser bonito ou famoso para ser bom".

Devil Woundt Recognize You é a única balada de todo o álbum e destoa das demais, assim como Spanish Lessons, na qual Madonna arrisca o espanhol. Talvez para resgatar megassucessos como La Isla Bonita e Take a Bow, nos quais ficava claro o objetivo de conquistar a comunidade latina dos EUA e os fãs do estilo Shakira espalhados pelo planeta.

Esse é o último álbum de Madonna distribuído pela Warner. A cantora rompeu com a gravadora em outubro do ano passado, depois de uma parceria de 25 anos, a totalidade de sua carreira. A cantora assinou com o selo Live Nation um acordo milionário de 10 anos, estimado em mais de 80 milhões de euros. Um dos objetivos do rompimento, disse Madonna na época, foi ganhar mais liberdade para a distribuição de suas músicas. Hard Candy custará entre R$ 34,90 e R$ 39,90 e já está em pré-venda pela internet.

Mirelle de França (19/04/2008)

 

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Madonna utiliza os Neptunes e o par Timbaland e Justin Timberlake para a maior parte da sua reinvenção moderna – uma boa idéia, na teoria, já que eles são uns dos maiores produtores da década – mas as produções que eles criaram soam, na melhor das hipóteses, um pouco ultrapassadas e, na pior, como se eles tivessem vestindo Madonna com as roupas usadas de Nelly Furtado.
Existe um pouco de desinteresse nesse álbum, como se Madonna tivesse entregado a direção para Pharrell e Timberlake na esperança de que eles refinem este doce envelhecido. Talvez ela não esteja interessada na música, talvez ela queira somente finalizar seu contrato com a Warner antes de ir para Live Nation – seja qual for a razão, "Hard Candy" é algo raro: um álbum sem vida da Madonna.

 


Madonna cria os produtores, produtores não criam Madonna. A diva tirou William Orbit, Mirwais e Stuart Price do anonimato da música eletrônica, mesclando sua sensibilidade pop com o som deles. Mas, em Hard Candy, Madonna se associou com produtores de peso e o resultado, como esperado, é um som do momento e pronto para as rádios. “4 Minutes”, com Timberlake, e a balada “Miles Away” podem ser umas das suas melhores músicas de todos os tempos mas soam familiar.
“Miles Away” é uma prima próxima de “Apologize” do Timbaland, “Spanish Lesson” de “She Likes to Move” do N*E*R*D e "Devil Wouldn't Recognize You" lembra “Cry Me a River” de Timberlake. Isso é comum para artistas pop que colaboram com produtores que são maiores estrelas que eles mas, para uma artista de vanguarda como madonna, parece como um pouco de concessão.
– Kerri Mason

 


Se mantendo firme a linha disco/R&B de "Confessions On a Dancefloor", "Hard Candy" não é inovador da maneira que Madge já foi, mas isso não é nenhum pecado.
Não importa o quanto o mundo tente fazer Madonna “agir conforme sua idade”, ela se mantém firme. Quantos outros quase cinquentões – de ambos os sexos – estão em harmonia interior para convidá-lo para “see my booty get down” (veja minha bunda requebrar) e ainda ser sexy?
4 de 5

 


Nada de spiritual! Madonna finalmente volta ao ritmo com um CD dance de velha-guarda.
Ela passou a última década explorando de maneiras diferentes o trip-hop melancólico, o Eurodisco leve e o eletrônico sutil, que não estão presentes nesse disco. "Hard Candy" mostra Madonna como se tivesse perdido sua fitinha da Cabala na pista de dança, readquirido seu sotaque americano e estivesse dando uma festa despretensiosa e sem hora para acabar.

 


Como uma lição da extensão da sedução feminina contemporânea e como avaliação da carreira de Madonna como exibicionista "Hard Candy" é poderoso, preciso e friamente revelador. Como uma exploração da sexualidade feminina na meia idade, é deprimente.
Durante sua carreira, Madonna explorou os dois lados do sexo, sua transformação em produto e seu potencial de se tornar o oposto, uma força libertadora incrível. "Hard Candy" se situa no lado do mercado.
Os produtores desse disco não conseguem evitar de fazer referencia a seus trabalhos com artistas mais novas uma vez que elas, desde o começo, também seguiram Madonna. É incontestável entretanto que artistas como Nelly Furtado, Britney Spears e Gwen Stefani não teriam um mapa pronto se não fosse pela corajosa jornada da sua mãe espiritual, Madonna.
Talvez "Hard Candy" seja simplesmente um último rugido antes que Madonna se acalme em sua maturidade, refletindo sobre tudo o que realizou e espalhando sua sabedoria, ao invés de provocações.
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Enquanto as canções com Pharrell Williams de alguma forma têm a cara da Madonna as faixas co-produzidas com Justin Timberlake são as menos interessantes. São músicas com cara de Justin. Como nunca perde uma oportunidade de ganhar, Madonna até escolheu a colaboração deles “4 Minutes” como o primeiro single, uma música disco moderna que se estraga.
No geral "Hard Candy" tem pouca sutileza e é trabalhado e produzido demais.
Madonna usa sua credibilidade na pista de dança permitindo-se interpretar papel secundário nas produções e batidas ruidosas de Timbaland.
"Hard Candy" tem momentos envolventes mas não impressiona na maior parte do tempo.
2 out of 5

 


Na última década Madonna estampou sua marca em produtores como Mirwais Ahmadzaï e Stuart Price que a maioria dos seus fãs nunca tinha ouvido antes. Em "Hard Candy" ela se rende a Pharrell Williams, Timbaland e Justin Timberlake, produtores que todos já estão cansados de ouvir faz anos. O resultado não é ruim.
Posições reveladoras na capa e vídeo alarmante de lado, "Hard Candy" soa menos como uma crise da meia idade (isso tem mais a ver com Confessions) e mais como algo que você realmente consegue escutar (isso também se parece com Confessions).

 


"Hard Candy" – o concorrente a álbum para dançar do ano – mostra que, com quase 50 anos, Madonna indiscutivelmente ainda é a diva pop, mas ela não é o único peso-pesado no CD: Justin Timberlake, Timbaland e Pharrell Williams são um time de escritores e produtores de dar nocaute.
Os três, que se uniram para dar um vigor R&B-dance para “Justified” de Justin, fazem o mesmo com "Hard Candy", tornando-o uma versão mais atualizada, envolvente e urbana de "Confessions On a Dancefloor".
Madonna mostra que mesmo uma diva como ela consegue se sociabilizar com outros, compartilhando a atenção com os Tims no single “4 Minutes”. Mas, como demonstrado na faixa impulsionada por sintetizadores, “Give It 2 Me”, um clássico hino de Madonna, ela fica melhor quando está sozinha.
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Seu décimo primeiro álbum e último com a gravadora de longa data Warner Bros é um ato de submissão. Em "Hard Candy", sua meditação da meia idade sobre sua própria relevância, Madonna permite que produtores reconhecidos a façam de objeto. Um time de produtores da alta realeza dos charts americanos remodela suas raízes tornando-a uma rainha disco urbana. É surpreendente que o 11o álbum de estúdio de Madonna seja um ato de submissão.

 


Madonna não lançou tantas músicas despretensiosas para dançar em um único disco desde sua estréia, e talvez nem naquela época o tenha feito. Apesar de uma certa obstinação na pista de dança (“Give me a record and I´ll break it” - Me dê um recorde e eu vou quebrá-lo – ela ousa em “Give It 2 Me” – ok, Mimi), existem poucas confissões nesse CD, nada político, muito espiritual, nada sobre fama, guerra ou mídia. Exatamente o que a América queria.
3.5 de 5

 


"Hard Candy" é descrito como “a próxima corrente de gênero musical, uma coleção de sons...o som de uma América satisfeita beirando o niilismo”, o que é certamente uma maneira de dizer que o cd soa igual ao último de Justin Timberlake. De fato o time de produtores de FutureSex/Lovesounds está presente em metade do álbum de Madonna, o que é tão bom quanto ruim.
"Hard Candy" é uma decepção após o maravilhoso "Confessions on a Dance Floor" mas o desapontamento é diminuído pela certeza de que haverá outro álbum da Madonna dentro em breve e, seria tolice não acreditar nas suas chances de voltar a fazer sucesso. “I can go on and on” (Posso seguir sem parar) ela canta na faixa "Give It 2 Me". Com 25 anos de carreira, quem duvida?
3 de 5

 


Madonna restaura sua marca em "Hard Candy"
O álbum é voltado para o prazer instantâneo de um apetite musical por doce e também para a continuação do potencial comercial da "loja de doces".
É o tipo de álbum que uma gravadora procura na atual fase do mercado: uma coleção de canções que grudam, de fácil digestão e apelo com o grande público feita por uma estrela que não se arrisca.
Madonna foge dos seus impulsos experimentais na música e ideais humanitários em "Hard Candy". Ao invés de introduzir produtores dance pouco conhecidos, ela trabalha com artistas já estabelecidos. Antes de fazer provocações artísticas, ela está refinando a base verso-refrão-verso. E ao invés de outra reinvenção de grande porte ela está olhando para trás, deliberadamente ecoando o som do começo da sua carreira, revisado com um toque de modernidade.
Quando não está invocando o ouvinte a dançar, Madonna utiliza "Hard Candy" para renovar sua marca e desafiar os céticos. Em algumas partes ela se coloca na defensiva mas sua melhor defesa, como sempre, é uma batida dance. “Hard Candy”, apesar de alguns preenchimentos, tem várias dessas batidas."

 


Como o título sugere, "Hard Candy" é um doce consistente e saboroso que oferece de sobra para os ouvintes se deliciarem mas, do começo ao fim, a característica maior desse álbum é a variação de temas conhecidos. É difícil não se ter a sensação de que tudo retratado no álbum é familiar e recorrente – às vezes brilhante – mas recorrente de qualquer jeito.
4 de 5 estrelas

 


O problema de "Hard Candy" é que simplesmente não tem a ver com o estilo de Madonna. Este álbum seria melhor se não tivesse ela nos vocais. Sua voz fina não se mistura com a vibe hip-hop.
Depois de "Confessions On a Dancefloor", que provou que ela ainda era a Rainha Disco, sua aventura hip-hop não deu certo. Nos resta esperar que seu próximo CD seja um retorno às suas origens pop para nos colocar de volta para dançar.
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A material girl de volta ao pop chiclete. Para surpresa, os resultados da colaboração com esses novos produtores se parecem menos com R&B contemporâneo – apesar da faixa de abertura “Candy Shop” ser uma releitura de Pharrell para “Milkshake” (Kelis) – do que com a Madonna no início dos anos 80 queridinha “disco” de Jellybean Benitez. “Não consegue ver? Quando eu danço me sinto livre” ela canta em “Heartbeat”, relembrando “Into The Groove”. E mesmo que em alguns momentos não vá além e se arrisque, "Hard Candy" é o seu álbum pop mais despretensioso e divertido desde "Like a Virgin".
3 de 5 estrelas

 

 


*Reviews internacionais traduzidas por Mario la Torre Filho

       
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