A Cereja do Bolo
Show de Madonna fechou meu ano com chave de ouro.

POR IVY FARIAS

Quando eu tinha meus 15, 16 anos, no auge da adolescência, a minha vida se resumia ao rock and roll: não tinha internet, por isso minha única fonte de informação sobre o gênero eram as revistas especializadas e, como não falava inglês, só podia ler a Bizz (que chamava Showbizz, eu acho, não me lembro). O dinheiro em Osasco era curto e comprar CD era um por mês e olhe lá. Me restava ouvir as rádios rock e trocar figurinhas com os colegas na escola.

Olhando para trás, parece que falo de um tempo tão distante: baixar músicas, iPod e copiar CD parecia coisa de ficção científica. Por isso era normal a gente gostar só de um estilo musical porque haja dinheiro para gostar- e consumir- tudo. E isso se refletia também nas tribos- quem gostava de Metallica e Iron Maiden (eu!) não andava com quem escutasse Shakira (todo o resto da escola).

Mas mesmo com estas rivalidades, uma coisa era neutra: Madonna. No jogo da música, a diva sempre foi um curinga, uma bela carta na manga. Ela servia como o elo entre as diferentes tribos, afinal, todo mundo gosta de Madonna. Na escola, onde havia gente que ouvia Spice Girls e Whitesnake, Madonna era o máximo denominador comum.

Gastei estes três parágrafos para revelar algo que talvez possa parecer estranho ou até mesmo impossível: eu amo rock. Amo muito, por sinal. Até o meio deste ano, costumava dizer que se eu ganhasse na Mega Sena, usaria boa parte do dinheiro para seguir os Foo Fighters. Sempre quis ter uma máquina do tempo para ver o show dos Beatles e eu seria capaz de dar a minha vida pelo Led Zeppelin, minha banda favorita.

Já trabalhei como jornalista musical e eu me jogava muito nos rocks. Na verdade, o rock faz parte da minha vida, é uma parte da minha vida. Seus diferentes subgêneros, como ensinou o querido Hilly Kristal, marcaram as diversas fases da minha vida. Enfim, o rock, em todas as suas formas, me acompanhou, foi trilha sonora da minha vida. E sempre será.

Já faz uns bons anos que o Brasil entrou na rota oficial dos grandes shows e 2008 foi um ano muito bom para nós neste quesito. Infelizmente, não foi bom para minha conta bancária e por isso tive que fazer algumas escolhas. Deixei de ver o Ozzy e o Iron no Parque Antártica, desencanei total do Queen, Kaiser Chiefs e Bloc Party, o R.E.M veio e eu fingi que não era comigo, sem contar a Cindy Lauper, que preferi nem saber quando vinha para não passar vontade. Enfim, abri mão de muitas gigs por conta de um único concerto. Advinhem qual?

Mas mesmo quando eu era embalada pelo Blind Melon, pirava com Pearl Jam e sonhava com o Nirvana lá pelos idos de 94, 95, eu nunca deixei de ouvir o Ray of Light. E outra: I was born in the 80's, for God's sake, Madonna was a huge part of my childhood. Por isso, não poderia perder um show da diva na minha cidade, não é mesmo? E assim, optei por passar 2008 em branco para terminar o ano em alto estilo: minha cereja do bolo foi Madonna e ninguém tasca!

Só de chegar e ver aquele M gigante no palco, me arrepiei toda. Ver Madonna surgindo imponente como uma ditadora impondo sua música da maneira mais democrática do mundo me deixou em pane. Sim, era ela mesmo, ali pertinho de mim. Eu, que vi a estréia do clipe de Like a Prayer em um telão na Praça Por do Sol, simplesmente delirei ao cantar "when you call my name" com ela e mais 69.999 mil pessoas no Morumbi. Realmente, a minha escolha não poderia ter sido melhor.

Com exceção de alguns fãs mal humorados e mal educados, todos estavam empolgadissímos. Como eu, todos que conversei me falaram que 2008 foi um ano difícil e só mesmo a diva para melhorar este resto que parece não acabar. A energia naquele estádio estava demais, todos 70 mil pagantes estavam felizes, realizando um sonho. Somou isso tudo ao fato de Madonna, com aquele astral incrível, estar no palco iluminando tudo ao seu redor.

Vocês podem me achar louca ou coisa parecida, mas na hora que Madonna estava cantando Ray of Light, simplesmente me joguei em suas mãos: deixei que toda aquela alegria contagiante dela entrasse e pedi, como se ela fosse uma deusa, que toda aquela felicidade que eu estava sentindo fosse uma constante em 2009. Me abri para captar toda a energia boa que rolava ao meu redor.

Fazia tempo que não me sentia tão bem assim; estou certa que minha "prayer" dará resultado e que 2009 será muito bom para mim. Afinal, eu não só fechei o ano com chave de ouro, como também vou abrir. Papai Noel poderia ter dado presente melhor do que Madonna em dezembro?


Ivy Farias, Ivy Farias agradece ao Rafa, pelo convite, e a todos os internautas deste site pelo carinho que lhe é dado: uma das poucas coisas boas que aconteceu em sua vida em 2008 foi escrever para o MOL. Ela deseja que as coisas boas que sentiu no show sejam para todos em 2009 e um feliz natal e um ano novo cheio de prosperidade, embalado pela nossa diva, claro.
Conheça seu blog: www.deliriosinsanosdeivyfarias.blogspot.com

 

 

 

 

 

 

Por Ivy Farias
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