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O que realmente sente uma mulher?????

Por Mario La Torre Filho

"What it feels like for a girl" é uma das músicas da Madonna que rendeu mais pela polêmica do que pela mensagem em si que ela passa. No caso do terceiro single de Music, a polêmica foi mais pelo lançamento do clipe que, mais uma vez, a MTV proibiu, não foi executado e a tia, nada boba, lançou como DVD Single que ficou em primeiro na parada americana.

Alguns fãs não vão muito com a cara da música, acham bobinha e preferem mais o ótimo remix de Above&Beyond do qual foi feito o clipe mas, gosto a parte, a verdade é que a Madonna novamente lucrou "alguns" com toda a estória.

O mais intrigante, porém, é o fato do clipe ser considerado "violento". Num mundo onde guerras matam dezenas de pessoas a todo o momento e vemos isso no conforto da nossa casa pela televisão, onde a violência urbana fica estampada no jornal todo dia e já nos "acostumamos" com ela, chega a ser engraçado considerar aquele vídeo violento.

O problema é que o clipe foi tão julgado pela sua imagem que não se percebeu que é justamente essa suposta violência que o faz uma obra prima. Nele Madonna aparece num carro, dirigindo em alta velocidade, batendo em outros carros e em pedestres, assaltando um cidadão, provocando policiais para, no final, bater contra um poste, se auto destruindo. Ele mostra claramente a reação e o fim da mulher moderna que quer ter os mesmos direitos do homem tentando “ser" como ele.

Ora, vivemos numa sociedade machista que apesar de todos os movimentos feministas da década de 60 e 70, que serviram mais para difundir aquela imagem da mulher moderna, solteira e atirada, ainda continua privilegiando o homem e colocando a mulher em uma condição inferior. Isso não somente na questão de trabalho e dinheiro, culturalmente também vivemos no mundo onde as mulheres podem menos que os homens, onde eles podem ter todas mas elas têm que se dedicar somente à um, onde o corpo dela é explorado e mostrado na TV como algo a ser venerado por eles.

Pois bem, nessa realidade, muitas mulheres querem os mesmos direitos que os homens e passam a se comportar realmente como um deles, seja isso consciente ou não. A carreira da Madonna no início dos anos 90 pode exemplificar isso claramente, como ela já disse: “Se os homens falam de sexo, por que eu não posso?".

A questão é que, a partir do momento que uma mulher tenta agir como um homem no intuito de mostrar que pode ter o que ele tem, ela entra em um jogo arriscado onde acaba abrindo mão da sua própria feminilidade que faz parte de sua natureza. Não estou dizendo que as mulheres têm que ser femininas e delicadas e deixar certas coisas para os homens, nada disso. O que quero dizer é que elas buscam tanto ser como eles, no trabalho, em casa, na política, no relacionamento, na vida que acabam se esquecendo que para ter os mesmos direitos não precisam ser iguais à eles, basta serem elas mesmas e fazerem o que querem sem ter que se parecer com um "modelo de liberdade individual".

Elas podem ter um emprego, sustentar uma casa e ainda sim ter um casamento feliz, elas podem ter sexo sem compromisso e ainda sonhar com a pessoa ideal com quem irão ficar juntas, podem ter sucesso e também filhos. Todos esses desejos simplesmente acompanham os direitos iguais que elas querem, não é necessário abrir mão deles.

Vendo um filme outro dia, achei engraçado quando uma adolescente que não acredita muito no amor estava conversando com sua amiga que estava apaixonada e essa lhe disse que até a Madonna acabou se casando, que no fundo a maioria das mulheres querem isso.

Sim, até mesmo a Madonna acabou casando, ela conquistou o mundo, falou o que queria, teve a atenção que desejou, saiu com que teve vontade e mesmo assim, casou e teve filhos... simplesmente por que quis tudo isso.


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