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Entrevista ao programa '20/20' - Rede
americana ABC
Durante sua turnê re-INVENTION Tour,
Madonna concedeu uma entrevista inédita a jornalista
Barbara Walters, do programa 20/20
da rede americana ABC. Durante uma hora falou
sobre diversos assuntos, como família, filhos, a perda
da mãe na infância e a maturidade aos 45 anos.
O que você gostaria de ter que você não tem?
M: (pensa e depois responde) Gostaria de ser mais livre. Mais
livre de meu ego, do que as pessoas pensam sobre mim...
Mas e você se preocupa com o que as pessoas pensam sobre
você?
M: Menos do que antes, mas ainda tenho um longo caminho a
seguir. Muitas das coisas que você faz
quando fica famosa, quer sendo cantora, atriz, modelo ou jornalista...
você se vê em um mundo de “como estou?”, “como está minha
popularidade?”, “estou entre as 50 pessoas mais influentes?”...
Então, antes você conseguia convencer a todos que pouco
se importava com a opinião alheia.
M: Eu sou uma ótima atriz. (risos) Eu sou uma rebelde e a
essência da rebeldia é...não posso falar isso na TV, mas é
como “não me importo com o que você pensa.” Mas só para incomodar
as pessoas. Acaba isso e pronto. O que fazer? As pessoas vão
se concentrar no fato de eu incomodar as pessoas e não no
que eu realmente faço.
E você não queria isso...
M: Não. Só queria incomodar. (risos)
Gostaria de nomear algum fato em particular, então?
M: Não, não (rindo). Acho que todos sabem. É meio óbvio pois
passei uma década tirando a roupa....e sendo fotografada....falando
palavrões na TV...
Então tudo era pra incomodar?
M: Sim. Eu procurava por algo com significado mais profundo
e pensei que eu estivesse realmente mostrando a liberdade
da raça humana, mas como eu disse, eu não mostrava alternativa.
Agora você me deixou deprimida...(risos)
M: Humm, eu não me arrependo de nada,
mas é que todo mundo tira a roupa hoje em dia e daí? Era mais
ou menos “porque os homens sempre controlam tudo relacionado
a sexo?” e se os homens podem, eu queria poder também. Além
disso, tinha algo meio exibicionista...devo admitir. Hoje
eu olho pra mim e vejo uma pessoa acordada, que quer ser parte
da bondade e não do caos do mundo.
Você se acha parte do caos?
M: Com certeza, em alguma época da minha vida eu fiz parte
deste caos. Eu tive vários relacionamentos, sempre fui egoísta
- “você não serve mais pra mim, caí fora!” Acho que eu trouxe
muitos problemas na vida de muitas pessoas por causa de meu
comportamento egoísta. Tudo que nós fazemos é controlado pelo
ego. Somos escravos dele.
A culpa está no comando...
M: Sim, mas eu também estou. Todos nós estamos. Se eu não
controlasse esse meu ego enorme, não estaria aqui. Em um certo
ponto, você precisa entender que...ele é como se fosse seu
cão. É você quem controla o cão ou o cão que controla você?
Fiquei maravilhada com algo que você disse: “Não quero
que as pessoas se vistam como eu. Quero que elas pensem como
eu. Se vistam como Britney Spears e pensem como eu. Você será
ótimo!”
M: risos. Há muito tempo as pessoas se vestiam como eu...
Muitos deles ainda estavam no show ontem.
M: E eles se vestem como eu em 1985...Eu não me importo mais
tanto com isso.
Então me diga como é pensar como a Madonna hoje em dia.
M: Eles pensariam muito.
É verdade que você tem um novo nome: Esther?
M: Digamos que eu não atenderia se alguém me chamasse de Esther,
mas sim, é meu novo nome.
Como você fez?
M: Eu escolhi.
Por que?
M: Meu nome é o mesmo do da minha mãe,
e ela morreu ainda nova de câncer. E para atrair coisas boas,
eu queria ter um outro nome. Mas isso não significa que eu
esteja negando o significado de minha mãe. Enfim, procurei
por nomes de mulheres do Antigo Testamento e achei a história
de Esther. Ela salvou os judeus.
E se tornou rainha.
M: Isso.
(sobre a Cabala)
M: Meu professor de Cabala me ensinou que toda vez que eu
tiver dúvidas, devo agir como Deus. E você deve estar se perguntando:
“O que isso significa?” Pense em Deus...como ele é? Ele tem
compaixão, incondicional, humilde. Então, quando tiver dúvidas,
aja assim e nunca vais seguir o caminho errado.
Como andam seus estudos?
M: Estou melhorando. Eu era uma pessoa que gostava de julgar
os outros. Eu olhava as pessoas e já colocava rótulos e imaginava
coisas e mais coisas sobre seu comportamento e se eles fizessem
algo errado, já dizia que eram idiotas. Mas na Cabala você
aprende que nunca conhece as pessoas de verdade.
E a fita vermelha? Você a tem?
M: Sim, está debaixo do meu relógio. Eu
fico um pouco irritada quando as pessoas dizem que a Cabala
é uma “moda das celebridades” da qual eu faço parte. Eu levo
meus estudos a sério. É verdade que Paris Selton foi ao Centro
de Cabala. Mas foi a pedido dos pais dela que estavam desesperados
porque ela estava passando por muitos problemas e eles queriam
ajuda-la. Isso é o que acontece. As pessoas nunca conhecem
a história.
A dedicatória de seu novo livro é para as “crianças desobedientes
do mundo inteiro”?
M: Sim. Porque se você pensar, a moral deste livro é mostrar
que mesmo as pessoas mais desobedientes têm o poder de fazer
algo bom para o mundo. E de oferecer algo bom para o mundo.
Muitas crianças se identificarão com isso.
Seus filhos são desobedientes?
M: Aham. Na maioria das vezes.
E você?
M: Sim, claro. Eu sou a criança desobediente n°1.(risos)
Vamos falar da turnê.
M: OK.
O nome: “Re-invention”? Você passou os últimos 20 anos
negando que estava se re-inventando.
M: Porque parecia que tornava trivial o que eu fazia. As pessoas
poderiam dizer: “ah, grande coisa! Ela só está se re-inventando
de novo.” A propósito, não é fácil. Requer trabalho e muita
pesquisa. Eu sou o reflexo do que eu fui influenciada. Podem
chamar isso de “re-invenção” ou “evolução”.
(sobre o clipe banido de “American Life”)
M: As pessoas estavam muito ligadas a guerra. Os americanos
passavam por um momento difícil. Não seria legal. E eu tenho
crianças para proteger. Não era a hora certa para lança-lo.
No telão, há uma cena em que um sósia de Bush beija Saddam...
M: No rosto.
Sim. O que isso quer dizer?
M: Embora eles sejam pessoas diferentes, com propósitos diferentes,
eles tem os mesmos pontos de vista para “resolver” os problemas
do mundo: com poder. Seja por busca de petróleos, seja para
dominar as pessoas. Mas eles são tão diferentes assim? Acredito
que ambos Bush e Saddam agem de maneira irresponsável. Neste
sentido, eles são idênticos.
Dixie Chicks tiveram muitos problemas por ter criticado
o presidente do jeito que você fez.
M: OK. (pausa) Bem, é difícil encontrar alguém que ache que
a guerra no Iraque foi uma boa idéia.
(sobre sua infância)
M: Minha infância foi triste e solitária. Eu me sentia muito
vazia. Eu não quero sentir isso de novo nunca mais. Meu marido
e eu somos muito diferentes nisso. Ele queria voltar a infância,
porque fez muita coisa legal e até hoje as faz. Mas eu não
quero voltar no tempo de jeito algum.
Vamos falar sobre valores de família. Existe alguma regra
a ser seguida em sua casa?
M: Tome conta de sua própria merda. (risos)
(risos) OK.
M: Meus filhos têm que limpar a bagunça, o quarto. Eles têm
que dizer “por favor”, “obrigado” e levar os pratos pra pia.
Ser grato é essencial.
Isso é ser tradicional.
M: Se ser tradicional é querer ser um bom ser humano, então
eu sou tradicional.
(sobre seus filhos não assistirem TV)
Você não tem medo de eles não terem a mesma referência
cultural das outras crianças?
M: Ah não. Eles conhecem, ouvem ao rádio, vão pra escola,
eles ouvem música. Eles sabem de Christina Aguilera e Britney
Spears.
Sabem que mamãe as beijou?
M: Aham. Sabem. Ela não viu maldade nenhuma. Ela pensa que
eu beijo mulheres para dizer “oi” e “adeus”.
Nada de palavrões em casa, certo?
M: Essa regra ai a gente quebra sempre.
Que lição você aprendeu depois de ter tido sua filha?
M: Que as meninas são muito inteligentes. Mais que os meninos.
Isso é bom?
M: Sim, mas eles são diferentes. Eu brinco mais com minha
filha do que com meu filho.
Oh...
M: É algo meio de associação. Eu me vejo em minha filha. Às
vezes me dá vontade de coloca-la no braço e dizer: “Sei exatamente
o que você está passando agora!” Ter um filho...é amor. Eles
nunca fazem nada de errado. É terrível.
É...você disse que sua filha Lola às vezes é seguida...porque
ela é sua filha.
M: Sim. Ela entende que as pessoas a procuram. Ela sabe discernir...
E você a ajuda? Lhe dá alguns conselhos?
M: Guy e eu falamos sobre fama com ela toda hora. Conversamos
sobre paparazzi, porque eles tiram fotos da gente...existem
sites de fotos de minha filha. É horrível.
Ela canta suas músicas?
M: Sim. Muitas vezes.
Como você imagina que ela se sinta ao ver 200 mil pessoas
ficando malucas ao lhe verem?
M: Não sei. Ela deve pensar “essa é
a mamãe. E é o trabalho dela.” Acho que minha filha não presta
muita atenção a isso. Minha filha vai pra casa e brinca com
seus brinquedos. Duvido que ela se preocupe com isso.
(sobre o pós-show)
Você consegue dormir depois daquilo tudo?
M: Demoro horas.
E Guy fica lhe esperando na porta com chá quando você
chega em casa?
M: Guy me espera para me fazer massagem. (risos). É verdade.
É meio que um ritual. Depois, a gente conversa na banheira.
(sobre o casamento)
Você disse muitas vezes que nunca vai pedir desculpas
pelo que fez. Isso acontece em casa também?
M: Claro que não. O primeiro passo para um casamento bem sucedido:
aprender a pedir desculpas. (risos). Não é?
(sobre a idade)
Qual a vantagem em envelhecer?
M: Ficar mais esperta.
E você se sente assim?
M: Aham. Eu pareço mais esperta?

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