SE EU FOSSE PRESIDENTE...
É engraçado começar uma frase com as
palavras: "Se eu fosse presidente", porque tenho
certeza que jamais gostaria de ser. Recordo vagamente que
essa pergunta já me foi feita na quinta séria,
em uma aula de história. Mas aquele ano foi o ano que
descobri os garotos. E minhas ambições políticas
deram lugar aos meus desejos. (Já sei o que estão
pensando Algumas coisas nunca mudam.)
Não quero ser mal-interpretada, mas eu gosto da idéia
de ser um lider influente. Gosto da idéia de ser uma
inspiração para os oprimidos, de educar as massas.
Gosto da idéia de lutar pela igualdade de direitos
entre homens e mulheres, gays e todas as minorias.
Gosto da idéia de chegar a outros paises, outras culturas
e promover a paz mundial. Mas prefiro fazer isso como artista.
Porque os artistas podem cometer erros, podem ter idéias
pouco convencionais, podem ser gordos, podem se vestir mal
e podem ter opiniões. Para os artistas é permitido
ter um passado. Em poucas palavras, os artistas podem ser
humanos. Um Presidente não. Por isso eu me pergunto:
"Como alguém pode ser um bom líder se a
ele ou a ela não se permite ser humano?"
Não parece que tenha sido sempre assim, mas quanto
mais nos lançamos de cabeça no século
XXI, a nossa paranóia cresce ao mesmo ritmo que o avanço
tecnológico. Vivemos numa sociedade cada vez mais temerosa.
Muita gente tem armas, muitos vivem com medo, sofrimento e
muita gente precisa de um "Cabeça de Turco".
Alguém para jogarmos a culpa. E para isso, amigos meus,
parece que precisamos de um presidente. Tão logo estamos
o felicitando pela vitória, tão logo estamos
atando suas mãos e observando como ele reage. "
O presidente está te fodendo!", "O presidente
está fodido!", "O presidente é um
merda!" Por causa dele estamos nessa merda. Me traz mais
uma cerveja."
Ninguém quer se responsabilizar pelo seus próprios
atos. Quando alguém é presidente, tem-se muita
gente para ajudar, mas muitos poucos pés que se deixam
pisar, e um dia vc se levanta e se dá conta de que
não tem um ponto de vista claro, ou que não
tem os ovos suficientes para seguir.
Mas se eu fosse... seria em algum universo paralelo onde
não existiria dor nem prejuizos, onde não existiria
o National Enquirer e onde as mulheres poderiam ter autoridade
sem serem taxadas de perversas, então:
* Os professores da escola cobrariam mais caro que as estrelas
de cinema ou do que jogadores de Basquete.
* Rush Limbaugh, Bob Dole e Jesse Helms seriam condenados
a trabalhos forçados no campo pelo resto de suas vidas.
* Howard Stern seria expulsado do país e Roman Polanski
poderia regressar.
* Todas as Forças Armadas poderiam "Sair do Armário".
E isso é só o início das minhas idéias.
Mas não me faça agir, já tenho problemas
demais.
Extraído da Revista George, n° 1 - 1995
Tradução: Jhonny Erdmann

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